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Turismo predatório já deixa marcas no Jalapão.
São Paulo - A maior preocupação dos pesquisadores de fauna e flora, que encerram hoje sua participação na expedição coordenada pelo Ibama ao Jalapão (Tocantins), é em relação ao turismo que começa a se desenvolver na região. “O potencial turístico é a solução, mas pode ser a desgraça do Jalapão”, acredita Miguel von Behr, coordenador da parte biológica do projeto, que estuda uma das três áreas prioritárias para conservação do Cerrado brasileiro.
Segundo o biólogo, o turismo que está sendo praticado na região é predatório. “O principal problema é o acesso aos locais. Os turistas querem chegar de carro até praticamente debaixo das cachoeiras! Por conta disso, verificamos a presença de pequenas voçorocas próximas a atrativos turísticos”.
Um dos locais que já apresentam alterações é o Fervedouro, um grande lago em Mateiros, de 20 m2, nascente de um rio, onde a força da água que vem de baixo impede a pessoa de afundar. “Estado e prefeituras precisam se preparar para ordenar o turismo no Jalapão”.
Com o término do levantamento de campo dos pesquisadores de fauna e flora, a expedição deve ter continuidade com a chegada, nos próximos dias, de equipes de antropólogos que farão a parte social do trabalho. Ao mesmo tempo, na região de Ponte Alta, espeleólogos devem estar iniciando o levantamento das cavernas do Jalapão.
Segundo o coordenador, “tudo correu dentro do previsto, sem nenhum problema de segurança e com muita integração entre a equipe e, desta, com a comunidade”. Os resultados do trabalho serão reunidos em um relatório e um documentário de vídeo, que deverão subsidiar as discussões para a criação de um corredor ecológico na região.
Além de uma nova espécie vegetal, da família Volkseacea, e dois pequenos mamíferos ainda não identificados, os cerca de 20 pesquisadores constataram a presença de espécies da Caatinga e da Amazônia, que mostram que o Jalapão está na área de influência desses dois ecossistemas. “Devido à especificidade do solo de arenito, muitas das espécies devem ser endêmicas”, diz von Behr.
“A maior emoção, porém, foi comprovar a existência de grandes extensões de Cerrado ainda praticamente intocadas. Ontem percorremos um trecho de 120 quilômetros entre os municípios de Hilda Conceição e Mateiros sem nenhum morador, apenas veredas, cerrado e campo limpo, com muitas áreas de nascentes”, conta o biólogo.
Outra área praticamente intacta visitada pelos pesquisadores foi a Lagoa do Veredão, na divisa entre Tocantins e Bahia, onde estão nascentes de afluentes dos rios Tocantins e São Francisco. “A fauna em todo o Jalapão é muito rica, encontramos veados, vários tipos de tatus, muita cobra, pequenos mamíferos. Somente em três dias, foram catalogadas mais de 100 espécies de aves”, diz.
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