A Suzuki do Brasil anunciou ontem que encerrou a importação e distribuição de sua linha de automóveis no País. A forte desvalorização do real frente ao dólar no segundo semestre é apontada pela empresa como a responsável pela decisão. A Suzuki informa que garantirá assistência técnica e venda de peças por meio de sua rede de 20 concessionárias no Brasil (três na cidade de São Paulo).
A Suzuki chegou ao Brasil em 1991, por meio de um importador independente, numa época em que o câmbio e a alíquota de importação de carros estavam muito favoráveis. Em 2000, a matriz japonesa comprou o importador e tomou a frente do negócio com a perspectiva de investir mais no mercado nacional, atenta à previsão de que ao final de 2002 o dólar estaria cotado a R$ 2,15.
Mas a moeda americana fechou 2002 em torno de R$ 3,90 e, hoje, estabeleceu-se num patamar (R$ 3,50) muito acima da previsão inicial.
"Foi uma decisão bastante penosa, mas o dólar ocasionou um insustentável aumento nos custos", comentou o presidente da Suzuki no Brasil, Toshio Ozawa. A decisão pegou o mercado de surpresa, uma vez que a marca vinha investindo em propaganda e lançou, há seis meses, o modelo Ignis. "O problema é que não há perspectiva nenhuma de o dólar ceder. Essa cotação atual de R$ 3,50 representa um novo patamar para o câmbio. Daí não baixa", disse o diretor de vendas e marketing da Suzuki, Ricardo Pellegrini.
Com o estouro do dólar em meados do ano passado, os carros da Suzuki perderam a competitividade no mercado brasileiro, assim como todos os importados. Segundo Pellegrini, as vendas da marca caíram 70% entre 2001 e 2003.
A única solução, já que o dólar não dá mostras de que vai cair, seria baixar a alíquota de importação de carros dos 35% atuais. Mas não há sinalização do governo federal esteja interessado em ajudar importadores de carros, ainda mais em um momento em que as montadoras instaladas no Brasil estão de encontro marcado em Brasília para pedir socorro.
Futuro nebuloso para a marca
O futuro da marca Suzuki no Brasil, a partir de agora, é nebuloso. A empresa garante que os 25 mil carros vendidos no País desde 1991 serão abastecidos com peças originais pelos próximos cinco anos e que terão a garantia regulamentar do fabricante.
Mas sem vender carros novos, sua presença no Brasil será determinada pela vida útil da frota Suzuki que hoje roda por aqui.
"Se considerarmos que os carros têm um tempo de vida e se não houver a retomada da importação, a tendência é a marca sumir do mercado", disse Pellegrini. Ele deixou em aberto a possibilidade de um retorno da importação, mas como algo remoto.
"Vamos vender usados e peças. Isso dá lucro, mas o futuro é incerto", concorda Aquiles Lin, diretor da Dealer, concessionária responsável por 30% das vendas da marca no Brasil, com duas unidades em São Paulo.
Segundo ele, não há possibilidade de os revendedores assumirem a compra direto do Japão e da Argentina (país onde se fabricam modelos Suzuki) porque não teriam o poder de fogo do importador ligado à fábrica. "Não conseguiríamos negociar preços e os impostos seriam mais altos por conta de detalhes burocráticos", disse Lin.
O revendedor recusa comparações com o que ocorreu à Lada. O carro russo ainda roda no Brasil, mas precariamente depois do fim da importação. "A Suzuki é uma marca muito mais forte", disse ele.
O maior sucesso de vendas da Suzuki no Brasil foi o jipinho Vitara, que agradou muito ao público feminino. Até ontem, a marca estava importando e distribuindo os modelos Jimmy, Ignis, XL-7 e Gran Vitara (que substituiu o Vitara). Segundo Pellegrini, há 70 carros novos no estoque da importadora.