De 8% a 9% da gasolina consumida em São Paulo é adulterada, contra 4% em outros cidades. Preço abaixo de R$ 1,50 denuncia: ou o produto é de baixa qualidade ou há sonegação de imposto.
A cidade de São Paulo é recordista nacional em gasolina adulterada. Segundo o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, que participou em 10.Abr do seminário "Os Novos Negócios e os Relacionamentos Estratégicos em Empresas Privadas de Serviço Público" na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), o índice da cidade é o mais crítico do Brasil. "Em São Paulo, a adulteração atinge entre 8% e 9% do total consumido. Em outros lugares, esse patamar vai para 4%."
"Gasolina abaixo de R$ 1,50 o litro é um indício de que algo errado está acontecendo: ou há evasão fiscal ou há adulteração", afirmou Zylbersztajn.
Para tentar conter a adulteração, a ANP vai lançar nos próximos dias uma campanha de fiscalização aos postos e distribuidoras de combustíveis.
"Percebemos que quem adultera o combustível no Brasil é gente organizada e não ladrão de galinha, por isso temos que dar uma resposta à altura."
Zylbersztajn disse que as ações da ANP serão concentradas onde há maior escala de consumo, principalmente na região metropolitana de São Paulo.
"Existem epicentros de distribuição de gasolina adulterada, mas que não vou divulgar agora porque senão tiraremos a surpresa da ação."
Para o executivo, o grau de sofisticação das adulterações nem sempre provoca danos aos veículos, mas garante a sonegação de impostos dos fraudadores.
"Das quase 200 distribuidoras operando no país, 64 funcionam por meio de liminar e isso complica qualquer trabalho de moralização do setor", afirmando que os consumidores devem olhar estas empresas com cuidado. "As empresas que operam com liminar podem ser encontradas o site da ANP."
Preço da Gasolina
Zylberztajn reafirmou também que o preço da gasolina cairá nos postos. Ele disse que a diferença ainda não foi repassada ao consumidor porque os postos ainda têm estoques. Segundo ele, por causa da concorrência, não há possibilidade de os postos se aproveitarem para aumentar a margem de lucro.
O presidente da Petrobrás, Henri Phillippe Reichstul, que também participou do seminário, confirmou que espera que os postos abaixem os preços nos próximos dias e que isso traga aumento do consumo.
Gás
O encontro de ylberztajn e Reichstul também trouxe a tona a discussão sobre o preço do gás para as 49 termoelétricas previstas no plano de emergência para combater o déficit de energia no País.
O desafio é encontrar uma alternativa entre duas posições conflitantes, a da Petrobrás, que prevê tarifas para o gás refletindo a variação cambial, e a da ANP, com valores fixados em reais e correção anual, a exemplo da energia das hidrelétricas.
A questão deveria ser resolvida numa reunião interministerial hoje em Brasília, mas que acabou sendo adiada.
"Acho que temos como rever os contratos bilaterais de quantidade e preço do gás natural trazido da Bolívia, principalmente porque o custo deste gás, que gira em torno de US$ 1 o milhão do BTU, na Bolívia, é cobrado a US$ 1,80 no Brasil", disse o presidente da ANP.
Reichstul, disse que a empresa se prepara para renegociar os valores com a Bolívia. Mas adiantou que isso deverá ser uma tarefa difícil, pois o resultado depende de decisões do governo boliviano.