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Pelas bitolas do Pantanal.
Não foi por acaso que a ONU declarou o Pantanal Mato-Grossense como o "Patrimônio da Humanidade".
Dispersa numa área de 230 mil Km2, perambula por lá uma das maiores concentrações de fauna
selvagem do planeta, só comparável a algumas poucas regiões africanas. Visitar a região na
época da seca, de barco, a cavalo ou de avião, é uma aventura. Conhecê-la durante a cheia,
por terra, a bordo de um veículo 4x4, um verdadeiro desafio.
A melhor época para visitar o Pantanal Mato-Grossense é entre os meses de maio a setembro,
quando chove menos. A água pouca, disponível num sem-número de formosos lagos e banhados,
força a passarada a se concentrar. Deixando os rios de lado, é fácil circular por terra,
enfrentando as bitolas de areiões fofos que ligam as fazendas. Nessa época é possível
serpentear por lá até mesmo a bordo de um utilitário 4x2 e apreciar, a olho nú, uma
infinidade de espécies de pássaros, como os desengonçados tuiuiús, ave-símbolo do Pantanal,
barulhentas araras-azuis, garças, patos, periquitos biguás, curicacas e colhereiros cor-de-rosa.
É nessa época também que a menor quantidade de insetos e a temperatura mais amena tornam a
aventura uma experiência essencialmente agradável.
Entre março e abril, depois das chuvas, quando as águas começam a baixar, também é bom para
visitar as planícies pantaneiras. Embora o barco e o avião sejam os meios de transporte com
vocação mais natural para a região, é mesmo no lombo dos cavalos ou de dentro de uma picape
que toda aquela beleza se faz melhor apreciar.
Esses sessenta dias são os mais indicados para conviver bem de pertinho com a fauna local.
Jacarés, de tantos, é perigoso até atropelar. Antas, mais raras, é preciso um pouco de sorte
para encontrar. Mas capivaras, cervos, tatús, tamanduás-bandeira e até quatís é quase certo de
aparecerem ao alcance mesmo das mais simples câmeras fotográficas. Outro animais típicos da
região, como a onça-pintada, a jaguatirica, ariranha e lontra, em risco de extinção, são mais
raros, porém não são impossíveis de serem vistos.
Nos meses restantes, entre outubro e fevereiro, a temida época das chuvas (que pode estender-se
março e abril adentro) o Pantanal é água pura, que vem do céu, das cabeceiras dos rios e parece
não ter fim. Formado por uma enorme planície sedimentar de cerca de 230 mil Km2 e relevo que
varia entre 100 e 200 metros em relação ao nível do mar, nessa época a região fica propícia a
grandes cheias. Com ¼ de sua área constituída por rios, bacias e lagos permanentes, e o restante
formado por campos e vegetações inundáveis, o ambiente torna-se totalmente dominado pelas águas.
É o tempo da ploriferação dos mosquitos, de um calor abafado quase insuportável aos não
pantaneiros, e dos aterros e bitolas enlameados e alagados, quase impossíveis de superar. É
tempo de um outro Pantanal, de uma outra faceta dessa aventura em tempo integral.
Mirando jacarés no Rio Negro
Rico em rios e fauna aquática, o Pantanal é generoso com os adeptos da pesca esportiva.
Rigorosamente controlado, o esporte só é permitido até o limite de de 30 Km por pessoa,
exclusivamente com o uso de vara, e terminantemente proibida entre os meses de novembro à
janeiro, época da piracema.
Mas não é preciso gostar de pesca para curtir o Pantanal, mesmo na época das cheias. O
visitante-aventureiro pode optar em deslizar de barco sobre as águas dos rios Miranda,
Paraguai, Aquiduana e Negro, para citar apenas os principais dentre os 175 que formam a bacia
hídrica da região. Ou mesmo chafurdar de picape 4x4 ou jipe por aquele oceano de água doce
afora, até as barrancas de qualquer um desses rios, se a natureza deixar.
Para aventureiros mais afoitos, amigos da natureza e afeitos a uma boa dose de desafios 4x4, a
dica para curtir o Pantanal é seguir de Campo Grande (1.100 Km de São Paulo) até Aquiduana (130
Km de Campo Grande, por asfalto) e, de lá, com um guia de bordo, embicar o capô aterro e bitolas
afora rumo à Fazenda Barra Mansa, 120 Km Pantanal adentro, nas margens do Rio Negro.
Com um veículo 4x4 bem preparado é possível enfrentar água cobrindo o capô e superar até os mais
radicais trechos de lama. Deixando Aquiduana, a primeira referência do roteiro é a Fazenda
Retirinho, de Timotheo Reis Proença na ponta do aterro, 75 Km à frente.
De lá, zigue-zagueando pelas bitolas alagadas, chega-se às margens do Rio Negro depois de
cruzar a solos e águas das fazendas São Salvador (14 Km), Costa Rica (mais 5 Km), Nova Estância
(outros 5 Km), Estrela (mais 10 Km) e Barra Mansa (8 Km), num total de 42 Km de puro off-road,
com direito a overdose de natureza.
A ponte de madeira que unia o lado de cá do Rio Negro, onde chega o aventureiro que vem por
terra (e água) de Aquiduana e Retirinho, com o lado de lá, onde está a sede da Fazenda Barra
Mansa, caiu ano passado. Enquanto o conserto não vem, para o aventureiro usufruir de um merecido
descanso, com direito a pousada e refeições em fogão à lenha que a Fazenda oferece, é preciso
deixar a picape e atravessar o rio de barco ou trator. Se a cheia ainda não for plena, é
possível cruzar o rio de carro (leia-se picape ou outro utilitários 4x4) e, se houver disposição,
prosseguir mais 80 Km aproximadamente, até bater na Fazenda Rio Negro, outro recanto pantaneiro
que recebe turistas-aventureiros mais ousados.
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