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Um duro desafio para duas brasileiras.

Tamie Yonashiro dos Reis e Daniela Stellmann escolheram a dedo sua estréia no Paris-Dacar: no ano em que a prova terá um regulamento mais exigente para os pilotos, com menos assistência mecânica. Será não apenas a primeira participação das duas, como também a primeira de uma dupla feminina brasileira. Se a idéia é mostrar a força feminina, será a oportunidade ideal.

Tamie, de 25 anos, será a navegadora. Acostumada aos carros e às corridas, ela ganhou seu primeiro kart aos 12 anos, anda de jipe desde os 14 e já participou duas vezes do Rali dos Sertões. Tem experiência. Mas o volante do Mitsubishi L 200 que as levará pelas trilhas do deserto do Saara estará nas mãos de uma moça que nunca havia entrado num carro "fora de estrada" até o início do ano. E que tem somente "alguma experiência em kart", como ela mesma diz.

Mas Daniela Stellmann não se intimida. Diz que treinou nos últimos meses com o piloto Cacá Clauset, seu parente distante e que participou do último Dacar. E que por isso já está acostumada com a poeira. "Levo sempre um lencinho umedecido." Quanto à expectativa... "Quem não sente um friozinho na barriga quando tudo é novidade?"

A idéia de Daniela era começar pelo Rali dos Sertões. Cacá não conseguiu patrocínio, mas a encaixou no seu projeto para o Dacar. Assim, ela pulou esse degrau e irá direto para a África. A equipe terá dois carros. No outro, estarão Cacá e um navegador a ser definido - talvez Alberto Fadigatti.

Tamie garante que não se assusta com o fato de ter uma piloto novata no Paris-Dacar: "Ela nunca fez nada, mas está treinando". E garante também que o frio na barriga por participar desse rali mítico ainda não é muito grande:

"Vou cair mais na real quando estiver mais perto. Sempre achei que ia participar, mas não sabia que seria tão rápido. Muita gente tem medo de arriscar, mas se eu não for lá para ver como é..."

Acostumada aos ralis no Brasil, Tamie já sabe que, num ambiente em que mais de 90% são homens, as cantadas são inevitáveis. Eles são sutis, não falam "e aí gostosona", mas mesmo assim ela evita provocar: "Você nunca vai me ver de shortinho e top." Por via das dúvidas, o pai Élson dos Reis, que esteve no último Dacar dando assistência à equipe Troller, pretende acompanhá-la.

 
Jornal da Tarde
   
 

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