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Visão Feminina.

Tenho de confessar que ainda estou curtindo a ressaca do Rali dos Sertões. Cheguei de Fortaleza na terça-feira, depois de 15 dias isolada de notícias. Foi uma grande aventura, um mergulho na alma de um Brasil desconhecido, que se mantém quase intacto em seu interior.

Os cinco mil quilômetros de trilhas que percorremos - a Adriana Saldanha e eu, dentro do jipe Troller - nos mostraram surpresas a cada dia. Conforme nos afastávamos de São Paulo, conhecíamos novos tons de verde na vegetação, de vermelho no solo e nas chapadas, de azul no céu.

Dificuldade e beleza O Jalapão e o Piauí foram os lugares que mais me encheram os olhos. O Jalapão ocupa parte de Tocantins e tem de tudo - areia, terra vermelha, platôs muito altos, rios borbulhantes e cristalinos, savana, floresta e pouquíssimos moradores.

Características que se repetem no Piauí, só que as estradas são melhores e as vilas, mais freqüentes.
Essas etapas foram cumpridas nos últimos dias de prova e o cansaço foi mais um obstáculo a ser vencido. É difícil descrever a sensação de descer uma serra e se deparar com uma reta sem fim, cercada por quilômetros de mata nativa. Nosso combustível era mirar o horizonte e dizer: "É lá que eu quero chegar".

Competidores diferentes Ao ler as análises da imprensa sobre o Rali dos sertões, deparei com críticas que ouvi dos participantes durante a prova e, apesar de ser caloura, notei falhas que, se não ocorressem, evitariam muita dor de cabeça, além de acidentes graves.

Existem vários ralis dentro do "Sertões". Os carros de ponta, bancados por marcas fortes, formam um pelotão. São seguidos pelos que curtem off-road, bancam parte das despesas e não são tão competitivos. Mais os aventureiros ou, como no nosso caso, aqueles que unem o útil ao agradável.

A organização, que se desloca com os competidores e é responsável pelo controle de todas as operações, cumpre seu próprio rali. Além da logística e da cronometragem da prova, a função dos carros de apoio e helicópteros é cuidar da segurança dos competidores. Com o grande número de motos e carros participantes, a impressão que ficou é que a retaguarda aos líderes era muito mais presente do que para os que estavam na rabeira do comboio.

Mais eficiência Os deslocamentos diários de centenas de quilômetros dificultavam preencher todos os espaços com a mesma eficiência. Apesar de compreensível devido à complexidade da prova, essa falta de estrutura se fez notar em alguns momentos-chave, como o acidente com o piloto Beto Salles, e no próprio Jalapão, onde quem quebrou passou a noite isolado.

E, por último, o comboio da imprensa, com os infelizes que mais sofrem. Para cobrir as etapas, são os primeiros a partir para as trilhas e os últimos a chegar na próxima cidade. Mesmo sem ter de cumprir todo o percurso, em muitas regiões não têm outras opções de estrada. Dirigem carros menos preparados para enfrentar as trilhas, sem rádio e às vezes sem planilha.

Chegam tarde da noite, esperam os resultados do dia e passam a madrugada mandando matéria. Haja fôlego!

 
Jornal da Tarde
   
 
 
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