O Bandeirante deixará de ser produzido até o final do primeiro semestre deste ano (2001). O lendário veículo, que trouxe a Toyota para o Brasil há quase quatro décadas, atingiu o limite da falta de escala namontadora, cujo sistema de produção enxuta revolucionou toda a indústria automobilística mundial. A fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC, poderá receber parte da linha de montagem da picape Hilux, produzida hoje na Argentina. Oficialmente, a Toyota não confirma a decisão. A empresa continua produzindo o Bandeirante sob encomenda, a uma velocidade inferior a 200 unidades por mês. A versão oficial da montadora é que o destino da linha ainda passa por estudos, assim com o deslocamento da produção da Hilux, questão ligada ao sucesso ou fracasso do regime automotivo do Mercosul.
Faz tempo que a Toyota enfrenta a falta de escala na linha Bandeirante. Mas, na sua típica paciência asiática, a direção da empresa parecia conviver bem com isso. Nunca investiu na modernização do produto, que começou a ser fabricado em 1961, à exceção de alterações no motor para atender às nomras de emissões de poluentes.
Mas agora, o Bandeirante começou a dar prejuízo. E começa a ser afetado pela concorrência de produtos mais charmosos, como o Defender, da Land Rover, que está sendo montado a poucos quilômetros da Toyota.
Durante a última década, a produção do Bandeirante caiu à metade. Para mantê-lo no mercado, a montadora precisaria investir. Mas isso está fora dos planos da empresa. O utilitário só é produzido no Brasil, mercado para o qual a Toyota já definiu outra estratégia. A empresa anunciou recentemente investimento adicional para aumentar a produção do seu modelo médio Corolla, na nova fábrica de Indaiatuba, interior de São Paulo.
Os frotistas das forças armadas são os principais compradores do utilitário robusto da Toyota, que custa entre R$ 35 mil e R$ 47 mil. Mas a empresa já começou a reforçar ações de marketing da Hilux, picape mais moderna, que custa de R$ 59 mil a R$ 81 mil.
Mas o fim do Bandeirante não significa o fechamento da fábrica do ABC e nem dos 600 postos de trabalho na linha de produção. A unidade de São Bernardo do Campo já segue ritmo acelerado por conta de novas atividades: ali estão sendo produzidos 40% dos componentes da Hilux, que é montada em Zarate, na Argentina. A unidade do ABC também produz peças para o Corolla, montado em Indaiatuba.
E aí entra outro dilema da direção da Toyota: até que ponto transferir ou não a produção da Hilux da Argentina para o Brasil. Inaugurada há menos de três anos, a fábrica argentina tem capacidade para produzir 20 mil veículos por ano. Hoje, o mercado brasileiro absorve metade do volume mensal, o que soma 600 unidades. Esta semana uma missão do Japão e da Argentina estiveram com executivos do Brasil para tratar do assunto.