O encerramento da produção do Engesa, em 1993, deixou órfã uma legião de fãs do grandalhão off-road brasileiro, que nasceu nos anos 80 para ser usado por soldados, juntamente com outros veículos militares fabricados pela Engenheiros Especializados S.A., a Engesa, como o Urutu, o Cascavel e o Osório. O “sapão”, como alguns o chamavam por causa de seu formato quadrado com faróis redondos, era uma máquina que encarava numa boa terrenos enlameados, repletos de pedras ou com água até a altura das portas.
Apaixonados pelo valente jipão, os empresários paranaenses Rosnel Wolney Leite e Edson Scalassara compraram algumas dezenas de carrocerias que sobraram no estoque da antiga fábrica e resolveram ressuscitar o Engesa, rebatizado como Envesa. “Eu nunca me conformei com a morte daquele jipe”, afirma Rosnel.
Foram dois anos e meio de estudos até que, no final de 1998, começaram a rodar os primeiros protótipos, ligeiramente diferentes da versão original. Do antigo jipe foi mantido o visual agressivo, e receberam todas as peças do câmbio, motor e freios de outros carros conhecidos em qualquer lugar do Brasil. “Fizemos isso para tornar o projeto viável e facilitar a manutenção”, explica Rosnel.
O novo Envesa tem apenas uma opção de motor, o Maxion diesel de 4 litros de 92 cavalos, que substituiu os antigos quatro e seis cilindros a gasolina e a álcool. O sistema de transmissão é a maior das novidades em relação à versão passada. A caixa de câmbio foi transplantada do Toyota Bandeirante: conta com quatro ou cinco marchas e engate para acionar a tração 4x4 e a reduzida. Isso deixou o jipe bem mais ágil nas estradas de asfalto, ultrapassando os 120 km/h com facilidade, e deu a ele mais fôlego nas trilhas.
O sistema de freios, original do Opala, tem disco na frente e tambor atrás, melhorando bastante a frenagem do utilitário. No próximo ano, devem ser instalados discos também nas rodas traseiras para corrigir o leve arrasto nas freadas mais bruscas.
A produção é artesanal e sob encomenda, ao preço de 36500 reais e com prazo de entrega entre 45 e 60 dias. Quem se acostumou ao estilo mais moderno e à tecnologia dos novos utilitários esportivos pode ter a impressão de que o Envesa é um carro ultrapassado e tão confortável como uma lata de sardinhas. Ele não dispõe de controles de estabilidade eletrônica e outras engenhocas que deixaram os jipões mais fáceis de ser domados. O único equipamento disponível para melhorar a missão de conduzi-lo é a direção hidráulica.
Na terra o Envesa se comporta como um trator, indiferente aos obstáculos que surgem pela frente. Afinal, seu único compromisso é com a robustez e versatilidade em qualquer terreno, mesmo na mais pesada das trilhas.