São Paulo - O Amazon é um projeto desenvolvido especialmente para o Brasil, mas que terá como principais mercados países emergentes, com características de consumo similares às brasileiras. É um veículo global, mas feito para enfrentar condições de estradas precárias. Terá, por exemplo, altura superior ao chão em relação aos carros atuais.
A primeira versão de uma família com pelo menos cinco modelos será um automóvel de passeio, provavelmente com motor 1.0, "mas não será o mais barato do mercado", avisa o presidente da Ford, Antonio Maciel Neto. "Terá design arrojado, boa performance e amplo espaço interno", limita-se a descrever. Será um carro de grandes volumes e deverá situar-se na faixa de preço de modelos como o 206, da Peugeot (R$ 18 mil).
O nome é mantido em segredo, e só deve ser revelado às vésperas do lançamento, até junho de 2002. O diretor da Ford Camaçari, Luc de Ferran, conta que o projeto teve a participação de técnicos do Brasil, dos Estados Unidos e da Europa. O modelo ainda está passando pelos últimos retoques nos laboratórios do grupo nos Estados Unidos, com o acompanhamento de 150 engenheiros brasileiros.
O Amazon é a grande esperança da Ford de "ocupar seu devido lugar no mercado", conforme define Maciel. Isso significa que, até 2004, a empresa espera responder por 14% das vendas de veículos, ante uma participação atual de 8% a 9%. No início dos anos 90, a montadora chegou a ter fatia de 20% do mercado. A família de produtos deverá ter um jipe e uma minivan. Cerca de 25% da produção será destinada à exportação, em princípio para países da América Latina, mas já há interesse de clientes da Ásia e Austrália.
Quarta colocada no ranking nacional de montadoras - posição às vezes ameaçada pela Renault - a Ford quer parar de perder dinheiro no Brasil a partir de 2003. "Nesse ano ainda fecharemos no vermelho, mas no próximo vamos registrar equilíbrio e, a partir daí, teremos boas notícias", prevê Maciel.
A unidade brasileira representa apenas 1,5% dos negócios da Ford mundial, segundo maior grupo automobilístico do mundo, com faturamento superior a US$ 170 bilhões no ano passado. A matriz, no entanto, considera o mercado local um dos mais importantes para a companhia e decidiu investir no País.
Mais baratos
"A Ford é a número dois no mundo e não poderia continuar na quarta posição no oitavo mercado mundial de veículos", diz Maciel. Dentro da estratégia de colocar a marca no seu devido lugar, a matriz decidiu pela nova filial. "E já que iríamos construir uma nova fábrica, decidimos que seria a melhor do mundo." A Ford investiu US$ 1,2 bilhão no projeto, sendo 40% de empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e instituições privadas e o restante da matriz. Os fornecedores entraram com US$ 700 milhões.
Na semana passada, um grupo de executivos das principais áreas da Ford americana (manufatura, logística e produto) visitou a fábrica e, segundo Maciel, voltaram dispostos a espalhar o projeto para outras unidades.
Apesar da diferença em termos de produtividade na comparação com o ABC, Maciel garante que a unidade de São Bernardo concentrará a produção do carro de entrada, os mais baratos da marca: Ka e Fiesta.
Para afastar boatos de fechamento, a direção da Ford mundial reuniu-se, em março, com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, e garantiu emprego aos funcionários nos próximos cinco anos.